Evolução, respeito, sustentabilidade e a contrapartida necessária ao mercado de eventos

Evolução, respeito, sustentabilidade e a contrapartida necessária ao mercado de eventos

Por Rodrigo Barros*

Em mais de duas décadas dedicados à cenografia, tive a oportunidade de participar de eventos de todos os portes, para todos os tipos de público e de clientes, e também acompanhei de perto o crescimento de muitos dos envolvidos neste setor. Vi muita gente começar, vi outros tantos desistirem, vi a própria GTM Cenografia celebrar seus 25 anos de atividades. Clientes, parceiros, fornecedores e demais players do mercado ajudaram a transformar o Brasil em referência em grandes eventos, só que, apesar da seriedade com que a maioria de nós trabalhamos, ainda somos confrontados por situações que comprometem o sucesso, a imagem e o legado de cada trabalho.

O setor de eventos é repleto de oportunidades e recompensador para quem trabalha com afinco. Agora, por mais que tenhamos o entendimento de que é preciso lutar, dia após dia, para manter um alto padrão de qualidade, é preciso que todos ajam com bom senso, evitando o desequilíbrio e gerando, de lado a lado, contrapartida.

O que quero dizer com isso? Quero dizer que é preciso prestar muita atenção em quem você contrata. Muitas vezes, os seus fornecedores não têm atitudes coerentes com o que suas marcas pregam e valorizam, e isso não só depõe contra você, mas também traz prejuízos, mesmo que a longo prazo. Vamos a um exemplo: como falar em bem-estar se os prazos são cada vez mais apertados? É verdade que “de vez em sempre” é preciso fazer um milagre e, por outro lado, é preciso haver uma contrapartida. O mínimo que precisamos é que haja planejamento, e que este seja cumprido. Ou melhor: que nós tenhamos margens e possibilidades para cumprir tudo a tempo. Em suma, quem quer qualidade precisa não só entender que a pressa é a inimiga da perfeição, mas também que a criatividade não flui num estalar de dedos. Por mais que as coisas aconteçam num passe de mágica neste nosso universo particular, é preciso considerar que o fator humano está intrinsecamente envolvido.

E, como não poderia deixar de ser, o fator humano merece dignidade e respeito. Isso é inegociável. Não fornecer equipamentos de segurança aos funcionários, ou submetê-los a condições insalubres nos processos de produção e montagem é igualmente preocupante. Isso também é falta de respeito, não só com o mercado e com o contratante, mas também com as vidas de todos os envolvidos. Não raro, nos deparamos no campo de montagem com banheiros pouco ou nada higienizados. Operários fazendo suas refeições pelo chão. Lanchonetes em pavilhões sem alternativas de lanches com bons custos benefícios e adequados ao público que ali atua. É dever das montadoras zelar pelo bem-estar do seu time, assim como conscientizar clientes finais e organizadores que não se pode economizar quando se trata destes itens básicos que garantem o bem-estar de quem está trabalhando para dar forma às suas ideias. E sempre vem à mente uma pergunta que não quer calar: A marca contratante tem consciência das condições sob as quais seus projetos estão tomando forma? Tais atitudes correspondem aos valores e princípios defendidos e comunicados por suas organizações?

Outra preocupação não menos crucial, é a preocupação com a sustentabilidade sócio-econômico-ambiental dos negócios. Se buscamos uma contrapartida justa entre nós, também temos o dever moral de devolver ao planeta tudo o que ele nos dá. Parece bobo e, eventualmente, soa demagógico, mas o fato é que tudo tem um limite, e até mesmo a natureza tem o seu. Como podemos falar em reciclagem e em um mundo melhor, se muitos de nós não têm tempo para, por exemplo, desmontar os estandes após uma feira? Fico verdadeiramente estarrecido quando vejo desperdício de materiais durante a montagem, e acho que jamais compreenderei uma empresa que preza a preservação da natureza optar por um fornecedor com zero preocupação ambiental. Reaproveitar materiais e otimizar recursos não só é uma questão de inteligência financeira, é bom senso no sentido pleno do conceito. Ou, como preferem os ecologistas, uma questão de sobrevivência e de preservação das próximas gerações.

Indo além, sustentabilidade não tem a ver apenas com o meio ambiente. Tem a ver com o nosso business. Como falamos, para manter a qualidade é preciso planejar, para planejar é preciso se comprometer, para se comprometer é preciso ser ético, e para ser ético é preciso enxergar além de si mesmo.

Ao invés de nos deixarmos levar por falsos propósitos e por teorias rasas ou mesmo vazias, que tal promover uma reflexão acerca destes problemas? Pensar é saudável, admitir enganos é inteligente, trabalhar em acertos é sabedoria. Encare para si a missão de garantir a sustentabilidade do nosso mercado – ao trabalhar o macro, você garante o micro, afinal, só é possível evoluir onde há inovação.

*Rodrigo Barros é Diretor Geral da GTM Cenografia

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