Vida Financeira

Vida Financeira 

O dinheiro faz parte do convívio das sociedades e é um dos principais instrumentos de troca do mercado. Faz parte do cotidiano das pessoas independente do seu grau de maturidade, ou seja, o dinheiro transita nas nossas vidas dês da infância até a idade adulta, como instrumento de realização, aquisição, troca, conquista, enfim, é com ele que nos relacionamos com o mercado, como também, realizamos nossas necessidades mais básicas e nossos desejos mais inusitados. 

Porém, o nosso maior desafio é conviver com esse instrumento de realização que tem como uma de suas principais característica a sua limitação.  Dentro dessa perspectiva, precisamos cuidar bem desse recurso, desenvolver uma inteligência que aprenda a lidar com sua escassez, e indo além, saber a lidar com sua preservação, manutenção e multiplicação. 

Aprender a administrar bem à vida financeira é cada vez mais uma habilidade para a realização de uma vida feliz e tranquila. Principalmente em tempos digitais onde o dinheiro está cada vez mais fácil de ser utilizado, por conta das diversas estratégias comerciais, plataformas on e off line e oportunidades de consumo. 

Agora, uma pergunta: Será que é realmente uma tarefa simples e fácil controlar as finanças pessoais e familiares? 

Vamos fazer algumas reflexões que talvez você já tenha passado na vida e que mereçam um novo olhar, tipo: 

1 – Quantas vezes você já parou para planejar alguma reserva financeira e fracassou? 

2 – Quantas vezes você já parou para planejar em organizar suas contas e não deu mais continuidade à essa ideia? 

3 – Quantas vezes você pensou em reorganizar os seus gastos para resolver antigos problemas e não tocou mais no assunto? 

4 – Você já se sentiu despreparado(a) para organizar sua vida financeira de fato? 

5 – Você nunca pensou em estabelecer estratégias financeiras para a realização de projetos, sonhos e desejos? 

Se esses pontos falam com você de alguma forma, isso é um bom sinal para que você possa começar a desenvolver um novo jeito de pensar e agir com suas finanças. São provocações importantes para se tomar uma nova atitude e ter uma inteligência voltada para o trato com suas finanças. 

Reza a pedagogia que boa parte de nossa aprendizagem vem por meio do ato de observar e repetir aquilo que observamos. Ou seja, nosso jeito de aprender a lidar com o dinheiro muito se deu pela forma que assistimos nossos pais e familiares no trato com seus recursos. E com isso, muito do que aprendemos de verdade partem das nossas experiências vividas, principalmente com os “erros” e “acertos”, e se formos inteligentes o bastante para aprender a ler e entender os “erros” e “acertos” dos outros, ganharemos tempo em desenvolver ações assertivas. 

Porém, quando o assunto é “dinheiro” a dicotomia, erros x acertos, pode não ser suficiente para a boa assimilação e conscientização continua.  

Prova disso é a dificuldade que as pessoas passam em suas rotinas na busca de suprir suas necessidades e suas vontades com os seus recursos financeiros. 

Vamos dar uma olhada no mercado para observarmos como isso é verdade? 

De acordo com o monitoramento mensal realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), através da PEIC – Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, constatou-se uma 9ª alta seguida nos índices que medem o endividamento das famílias brasileiras, segundo o site da CNC (http://cnc.org.br/).  

Eles afirmam que “65,1% das famílias relataram ter dívidas, contra 64,8% em agosto e 60,7% em setembro do ano passado. Foi o maior resultado dede julho de 2013 e o terceiro maior patamar da série histórica” (publicado em 03/10/2019). 

Fonte: http://cnc.org.br/editorias/economia/noticias/endividamento-das-familias-cresce-pelo-nono-mes-consecutivo 

Com esse pequeno recorte, podemos realmente afirmar a dificuldade das pessoas no tocante a administração financeira pessoal e familiar.  

O fato é que a grande maioria dos brasileiros não recebem, e não receberam, formação ou instrução necessária para o uso consciente do dinheiro, e ensino e aprendizagem das boas práticas com foco nas finanças pessoais. 

Sendo assim, para que você possa trabalhar bem com o seu dinheiro e construir uma vida financeira saudável e próspera, é importante que você desenvolva um hábito de estudo de conhecimento técnico sobre educação financeira.  

Importante observar que não estamos falando em nada muito sofisticado ou grandes horas de estudo e conhecimento econômico, mercadológico ou financeiro. Estamos falando na relevância da criação de atitudes simples, porém impactantes, para a saúde financeira individual e familiar.  

Desenvolver hábitos de se trabalhar com: 

1 – Orçamento financeiro; 

2 – Desenvolver estudo de preço antes de ir as compras; 

3 – Obter crédito com propósito, conhecendo bem as variáveis do produto, sua responsabilidade e seus custos; 

4 – Só tomar crédito com uma perspectiva real da concretização de um projeto individual ou familiar, respeitando bem o orçamento financeiro; 

5 – Dedicar tempo em estudar como funciona as diversas formas de se fazer investimentos nos bancos e em outras instituições financeiras. 

Agora um ponto delicado! A emoção. É muito fácil ouvirmos e assistirmos pessoas reclamando que seu dinheiro é pouco, o salário não chega no fim do mês, que os políticos são corruptos, que os bancos cobram “juros sobre juros” e colocam a culta em tudo, até na matemática.  

Estudar a sua vida financeira é se disponibilizar a entender como você se relaciona com suas finanças e com o dinheiro. Precisamos muitas vezes entender que a maior dificuldade pode ter origem no modo como nosso cérebro funciona, no jeito de se relacionar com o dinheiro que foram nos apresentados na infância, e um ponto mais delicado ainda, como nossas emoções sabotam nossas decisões. 

Uma vida financeira saudável tem como ponto de partida o autoconhecimento. Não será de grande valor horas e horas de estudo em matemática financeira, no estudo e na compreensão dos juros, dos produtos de crédito, se você não souber mapear suas emoções e o que realmente influencia suas decisões na hora do consumo. 

Outro ponto de suma importância é buscar compreender porque mesmo dedicando horas de estudo em conhecimento financeiro, o conhecimento fica apenas na sua mente e não ganha dimensão no dia-a-dia. 

O que seria importante como exercício: 

1 – Pensar sobre a relevância da gestão financeira para sua vida; 

2 – Estabelecer projetos para desenvolver motivações para investir; 

3 – Dedicar um tempo para o autoconhecimento e buscar entender como se dá o processo de escolha na sua mente; 

4 – Buscar estabelecer prioridades quando o assunto for dinheiro; 

5 – Buscar todo dia entender a diferença entre necessidade e desejo.  

E para finalizar, vamos repetir como mantra diário, que a compreensão de uma vida financeira saudável se dá pelas boas práticas financeiras, conhecendo-se bem, respeitando suas limitações orçamentárias, entendendo sua história familiar, sendo amigo(a) do tempo e aprendendo a lidar com os pensamentos, as emoções e as ações de consumo. 

Texto de Fábio Mesquita Torres